20 de abril de 2024 17:42

Itabirito, Mariana e Lafaiete lideram crescimento no Centro de Minas

Juntos, os três municípios ganharam 30.107 novos moradores entre 2010 e 2022

Em 1º de agosto de 2022, Conselheiro Lafaiete apresentava 131.621 moradores, posicionando-se como o maior município da Região Central de Minas Gerais, excluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O resultado é explicado pelo ganho de 15.109 novos residentes entre 2010 e 2022, fato que fez Lafaiete superar a população de Barbacena, ao longo deste período. Em 1º de agosto do ano passado, data de referência do Censo Demográfico 2022, Barbacena registrava 125.317 residentes. Os números são dos primeiros resultados do novo Censo Demográfico do IBGE, divulgados no dia 28 de junho de 2023, que foram tabulados e analisados com exclusivamente para o Jornal Correio de Minas pelo Observatório das Metropolizações Vale do Aço, do IFMG Ipatinga.

Com ganho de 5.726 novos moradores entre 2010 e 2022, São João del Rei é o terceiro município da Região Central de Minas Gerais fora da RMBH. O município alcançou 90.225 moradores em 1º de agosto de 2022, superando os 74.824 residentes de Ouro Preto.

Primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, no ano de 1980, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Ouro Preto localiza-se entre as duas cidades que registraram o maior crescimento da Região Central do estado, fora da RMBH, no período entre os dois últimos Censos Demográficos. Isso porque enquanto Itabirito cresceu à taxa de 1,33% ao ano, Mariana cresceu à taxa de 1,04%, exatamente o dobro dos 0,52% ao ano da última capital mineira antes de Belo Horizonte. Com isso, Itabirito alcançou 53.282 moradores em 1º de agosto de 2022, enquanto Mariana registrou 61.387 residentes.

— Ainda assim, Ouro Preto cresceu num ritmo superior ao de Minas Gerais, cuja população evoluiu 0,39% ao ano entre 2010 e 2022. O Censo 2022 surpreendeu por retratar que a transição demográfica brasileira está mais acelerada do que imaginávamos. O fenômeno reflete a queda brusca da natalidade e o aumento do envelhecimento da população. As famílias brasileiras têm cada vez menos filhos. A média de moradores por domicílio é de menos de 3 pessoas. Isso nas cidades mineiras, no estado de Minas Gerais e no Brasil como um todo. A atual geração de mineiros e de brasileiros não constrói mais aquela família grande, com muitos filhos, agregados e primos. Isso reflete a ampliação da urbanização, o aumento da escolarização feminina e o maior acesso à informação desta geração. As mulheres passaram a adiar o primeiro filho, decidiram ter menos filhos que a própria mãe, ou mesmo decidiram não ter filhos. E isso em todas as camadas da população, inclusive entre as mulheres mais pobres, ao contrário, muitas vezes, da percepção do senso comum — avalia o geógrafo William Passos, coordenador estatístico e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço e que tem especialização doutoral em estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do IBGE.

Congonhas, com 52.890 domiciliados, e Ouro Branco, com 38.724 habitantes, completaram o conjunto dos 8 municípios mais populosos no interior da Região Central de Minas Gerais.

— Lafaiete tem atraído população de outros municípios, principalmente Congonhas, Jeceaba, Ouro Branco, Queluzito, São Brás do Suaçuí e Ouro Preto. A imigração é o que explica a aceleração populacional e o ganho de 15.109 novos moradores entre 2010 e 2022 no município. São pessoas das proximidades atraídas pela possibilidade de residir num município maior, com uma maior oferta e diversidade de comércio e serviços. No caso de Ouro Preto, há ainda a questão do esgotamento territorial, que encarece o custo e limita o acesso à moradia, forçando as pessoas a buscarem residência em municípios vizinhos. Diferentemente de Ouro Preto e Mariana, Lafaiete não é uma cidade histórica. E diferentemente de Itabirito, não tem uma topografia tão acidentada. Isso favorece a expansão imobiliária, com imóveis a um preço mais acessível e com menores custos de construção — analisa William Passos, geógrafo e coordenador estatístico e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço.

Sobre o Observatório das Metropolizações Vale do Aço

Projeto de Extensão do IFMG Ipatinga, o Observatório das Metropolizações Vale do Aço analisa informações estatísticas e geográficas dos 853 municípios mineiros. As publicações do Projeto estão disponíveis na página https://www.ifmg.edu.br/ipatinga/noticias/observatorio_das_metropolixacoes_vale_do_aco.

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