A ‘grande roda’ na sede do Sindicato Metabase Inconfidentes, sábado à tarde (27/6), em tempo de muita festa junina, expressa a força dos Grupos de Reflexão e das Santas Missões Populares em Mutirão, unidos ao MAB, no segundo Plenarão deste ano e primeiro Encontrão das comunidades das paróquias Mãe da Igreja, São José e Nossa Senhora da Conceição.
Chamou atenção a arte da Valdete, que fez maquete do processo de exploração de minério, com remoção de grande volume de material e degradação do ambiente, provocando destruição de casas, contaminação das águas e do ar e adormecimento no povo.
Nivaldo Martins e Jaquelina Freitas coordenaram o Plenarão do roteiro refletido em junho cujo tema é ‘Do ventre da Terra, o Grito do Coração’, e a socialização das respostas mostrou que o ‘grito do coração’ ecoa no dia a dia, no esforço de vivência da fé, em ações simples de cuidado do ambiente até a solidariedade aos oprimidos, mas a partilha revelou, também, o câncer da politicagem e o ‘grito’ pela Política enquanto participação popular organizada em vista do Bem Comum.
Jaquelina citou frase do Papa Francisco, página 8 do roteiro de Junho, quando ele diz que ‘o planeta não é um recurso a ser explorado, como laranja a ser espremida, mas uma casa a ser cuidada’ ; frase muito forte no contexto de Congonhas, território devastado pela violência das mineradoras, onde toda a população é atingida, situação agravada por falta de transparência em obras que impactam diretamente a vida dos moradores; o caso mais gritante no momento é a duplicação da 040, pois a EPR, empresa concessionária privada, deixa as famílias da margem da rodovia no ‘ar’ por falta de transparência. No bairro Vila Marques, uma rua com 77 casas pode desaparecer e, com isso, o povo teme pelo fechamento da escola e do posto de saúde.
Congonhas é um corpo em processo acelerado de amputação de seus membros por impérios econômicos sob histórica timidez do senso comum e das autoridades em geral.
Bruno, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e estudioso da questão minerária, disse que as mineradoras são ‘monstros de fome infinita’, lembrando o relato bíblico da praga dos gafanhotos (Joel 1, 2-12); ele elogiou a atividade, afirmando que ‘a união é a forma politicamente correta de impor limites à fome do capital’ e citou o exemplo de Belizário, distrito de Muriaé, onde as comunidades continuam resistindo à entrada de mineradoras.
Aline Soares, militante do MAB, entregou exemplar da PNAB a Bruno e a João Lobo, Secretário de Meio Ambiente em Congonhas, e defendeu que a Gestão Pública Municipal implemente a Política Nacional das Populações Atingidas, resultado da luta histórica dos atingidos em todo o Brasil e instrumento eficaz de resistência e garantia de direitos.
O Artigo segundo da lei PNAB diz que Populações Atingidas por Barragens (PAB) são todas aquelas sujeitas a um ou mais dos seguintes impactos: perda da propriedade ou posse de imóvel; desvalorização de imóveis; perda da capacidade produtiva; perda do produto ou de área de exercício da atividade; interrupção prolongada ou alteração da qualidade da água; perda de fonte de renda e trabalho; mudança de hábitos das populações; alteração no modo de vida; interrupção de acesso a áreas urbanas e rurais.
Após dinâmica do cochicho com a pergunta geradora *’Como fazer nosso grito do coração ser ouvido?’, decidiu-se por mobilização popular permanente com dois *pré gritos agendados: dia 28 de julho*, em Cana do Reino, Cristiano Otoni, onde fica a nascente do Rio Paraopeba, atingido pelo crime da Vale que matou 272 pessoas; e outro em *8 de agosto*, Vila Marques.



