Escrito por Ruth Rodrigues
Com 81 votos favoráveis, o Parlamento dinamarquês aprovou a aposentadoria aos 70 anos para quem nasceu a partir de 1970. A medida visa garantir a sustentabilidade do sistema de bem-estar social, mas enfrenta críticas de sindicatos.
Garantir que as futuras gerações usufruam de um sistema social sólido foi o argumento central para que o Parlamento da Dinamarca aprovasse, em 2025, a nova idade oficial de aposentadoria: com setenta anos.
A decisão, tomada em Copenhague com 81 votos favoráveis, transforma o país no detentor da maior idade mínima da Europa. O plano é uma resposta direta ao aumento da longevidade e busca evitar o colapso financeiro do Estado, segundo noticiado pela EXAME.
A regra impactará diretamente quem nasceu a partir do último dia de 1970, estabelecendo um novo teto para o mercado de trabalho nacional.
Contestações e os dilemas dos trabalhadores braçais
Apesar da vitória no Legislativo, a proposta enfrenta forte resistência de sindicatos e partidos de esquerda. O ponto de discórdia é o impacto desigual sobre profissões com alto desgaste físico, como operários da construção e professores.
A central sindical 3F trouxe um dado alarmante para o debate: 75% de seus membros duvidam que terão saúde para trabalhar até os setenta anos. A crítica principal reside no fato de que a reforma pode sobrecarregar excessivamente a população de baixa renda, que inicia a vida laboral mais cedo e em funções mais exaustivas.
Um mercado de trabalho aquecido apesar do envelhecimento
Com uma população de aproximadamente 6 milhões de pessoas e idade média de 41,3 anos, a Dinamarca enfrenta o desafio de manter sua economia produtiva enquanto sua base demográfica envelhece. Cerca de 21,1% dos cidadãos já possuem mais de 65 anos, o que pressiona a necessidade de mão de obra ativa.
Atualmente, o cenário econômico do país apresenta indicadores peculiares:
- Engajamento sênior: Cerca de 80 mil dinamarqueses já optam por trabalhar além da idade mínima atual (67 anos).
- Baixo desemprego: O índice de desocupação é de apenas 2,6%, com uma taxa de ocupação geral de 69,5%.
- Incentivos: O governo e as empresas oferecem bônus financeiros e maior flexibilidade de horários para quem adia a saída do mercado.
Dinamarca no topo do ranking global de aposentadoria
Com esta medida, o país se isola como a nação com as regras mais rígidas da Europa, igualando-se ao patamar da Líbia. Enquanto vizinhos como a França enfrentam tensões para elevar a idade para 64 anos, o governo dinamarquês avança décadas à frente.
Comparativo de idades mínimas por país
- Dinamarca e Líbia: setenta anos (Líderes mundiais)
- Reino Unido: 67 a 68 anos
- Brasil: 65 anos (homens) e 62 anos (mulheres)
- China: 63 anos para homens (em transição gradual)
- Turquia e Ucrânia: 60 anos (entre as menores do mundo)
Sustentabilidade e o pacto de longevidade na Dinamarca
A estratégia dinamarquesa não é um improviso, mas sim o cumprimento de um acordo estabelecido em 2006. Esse pacto prevê que o limite de idade laboral deve acompanhar a expectativa de vida. Assim, a meta de setenta anos deve ser plenamente atingida em 2040.
De acordo com a ministra do Trabalho, Ane Halsboe-Jørgensen, a alteração é vital para “assegurar um sistema de bem-estar social adequado”. No modelo atual, quem nasceu após 1967 já encara uma transição que eleva o limite para 69 anos, mas o novo texto fixa o patamar máximo para os nascidos a partir de 1970.
Ao projetar o limite de setenta anos para 2040, o governo busca previsibilidade. A ideia é que o sistema seja autossustentável, evitando déficits que obrigariam cortes em outras áreas, como saúde e educação.
Fonte: Click Petróleo e Gás (com informações da Exame)





